Muita gente em cargos de alta responsabilidade relata que o mais exaustivo não são as tarefas, mas as pessoas. Perfis diferentes, expectativas diferentes, ritmos diferentes. E, no meio disso, a sensação de precisar manter tudo funcionando, sem perder a compostura.
Na teoria, chamamos isso de “gestão de pessoas”. Na prática, é reunião difícil, mensagem perdida, conflito velado, ajustar o tom com cada pessoa e ainda entregar resultado. Não é raro terminar o dia sem saber dizer o que fez “de concreto”, mas com a sensação de ter passado horas apagando incêndios invisíveis.
Vale observar como isso aparece na sua rotina. Em quais situações você sai drenada depois de conversar? Em quais relações precisa pisar em ovos o tempo todo? Onde sente que não pode ser minimamente espontânea, com medo de como vão interpretar? Essas pistas dizem muito sobre o tipo de desgaste que o trabalho tem gerado, para além das tarefas formais.
Reconhecer que lidar com pessoas também é trabalho, e que isso consome energia real, é um passo importante. Não para desistir das relações, mas para levar em conta esse custo quando você avalia o próprio cansaço, em vez de se julgar por “não aguentar” algo que, na verdade, é pesado mesmo.
Sou Thaís Aguiar, psicóloga TCC em Niterói (RJ), e acompanho mulheres em cargos de alta responsabilidade e sob muita cobrança.


