Tenho visto, na clínica, uma cena que se repete em muitas mulheres em cargos de alta responsabilidade: o perfeccionismo no trabalho vai, pouco a pouco, ocupando todos os espaços da vida.
No começo, é só uma fase mais intensa: responder mensagem fora de hora, levar “só um pouquinho” de demanda para o fim de semana, ajustar uma apresentação à noite. Com o tempo, o corpo começa a dar sinais claros de que algo não vai bem: sono ruim, irritação, dificuldade de descansar de verdade, sensação de estar sempre atrasada, mesmo trabalhando demais.
Em muitos casos, o pano de fundo é um perfeccionismo silencioso. Pensamentos como “eu não posso falhar”, “tudo depende de mim” ou “se eu desacelerar, vão perceber que não sou tão boa assim” fazem com que o limite deixe de ser cuidado e passe a parecer fraqueza. O resultado é uma agenda cheia, mas uma vida cada vez mais apertada por dentro.
Se você se reconhece nisso, não é “frescura” nem falta de força. É um jeito de funcionar que talvez tenha te ajudado a chegar onde você está, mas que hoje pode estar custando a sua saúde. Falar sobre isso em terapia é um passo importante para construir uma carreira que não precise engolir quem você é fora do trabalho.
Sou Thaís Aguiar, psicóloga TCC em Niterói (RJ), e acompanho mulheres em cargos de alta responsabilidade e sob muita cobrança.


